Trabalhando a inteligência emocional das crianças

Conhecer o nível de desenvolvimento dos pequenos e de suas habilidades é fundamental – ter expectativas muito altas pode ser tão ineficaz quanto esperar muito pouco deles
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ESPECIAL | Edição 6

por Craig S. Bailey

inteligência emocional das crianças

Uma boa estratégia para pais e educadores é agir como um treinador de emoções, ideia introduzida em 1997 pelo psicólogo John Gottman e seus colegas. O orientador deve ter uma mentalidade de crescimento e investigar problemas de comportamento infantis, ao mesmo tempo que apoia os pequenos no aperfeiçoamento de suas habilidades. É importante ressaltar que conhecer o nível de desenvolvimento das crianças e de suas habilidades é fundamental nessa estratégia – ter expectativas muito altas pode ser tão ineficaz quanto esperar muito pouco delas.

Na infância, podemos abordar a inteligência emocional com a modelação intencional. Bebês assimilam o mundo por meio da imitação. E crianças maiores, ao reencenarem e praticarem aquilo que veem por meio do brincar. Os pequenos aprendem socialmente quando nos comportamos de maneira calculada ou não, absorvendo virtudes e fraquezas; por isso, é importante ficarmos atentos às mensagens que enviamos. Costumamos pedir às crianças que se acalmem quando percebemos que se sentem angustiadas, mas será que mostramos com o que a tranquilidade se parece ou conversamos sobre como é se sentir sereno? Ensinamos como relaxar? É um desafio usar as habilidades que queremos que os pequenos tenham porque isso exige que sejamos emocionalmente inteligentes. Dica: pode ser interessante pensar sobre como regulamos e expressamos nossas próprias emoções ajuda os pequenos. Dar exemplo é a melhor lição. Simplesmente dizer o que quer que façam pode não ser uma boa abordagem, já que essa não é a melhor maneira de aprender.

Modelar intencionalmente habilidades relacionadas com a inteligência emocional pode incluir também uma estratégia de ensino chamada narração. Trata-se de explicar o que vemos, fazemos e o porquê de agirmos assim, além de esclarecer o que pensamos e o motivo. Imagine um cenário em que você chega em casa depois de um longo dia de trabalho e usa a narração para ensinar a inteligência emocional: “Hoje foi cansativo (compreensão da emoção). Meu corpo está sem energia (reconhecimento), estou mal-humorado (classificação). Não é fácil fazer o jantar com essa fadiga (entendimento). Pode me ajudar a arrumar a mesa? (regulação)”. Fazer pedidos com calma também ajuda a modelar a expressão da emoção. Experimente! Na hora de começar a narração com as crianças, procure explicar cada passo seu. E, em seguida, dizer por quê. Identificar e nomear emoções faz parte da inteligência emocional.

Ensinar esse recurso inclui também lidar com o modo como reagimos aos afetos das crianças. Como agir? (1) Busque validar os sentimentos dos pequenos. Faz diferença se aproximar, ficar no mesmo nível e combinar o seu tom de voz com o deles. Legitimar as emoções das crianças ajuda a enfatizar a importância delas e a construir confiança. Se os sentimentos dos pequenos estiverem muito intensos, você pode tentar ajudá-los a relaxar o corpo com um abraço ou tirar a criança da cena para permitir que ela pense com maior clareza. (2) Procure narrar a situação. “Notei, pelo tom alto de sua voz e pela expressão de raiva em seu rosto, que parece chateada. O que aconteceu?” Para aquelas com dificuldade de entender isso, principalmente as mais jovens, pode ser necessário preencher as lacunas, quando necessário. Perguntar “O que houve?” também dá aos pequenos a oportunidade de pensar a respeito e discutir a situação.

(3) Busque especificar o problema. É importante destacar a emoção envolvida e certificar-se de que você compreendeu o que houve com a maior clareza possível. Por exemplo, “Você se sentiu frustrado quando quis ir lá fora, mas não pôde e, por isso, arremessou o brinquedo”. (4) Procure apresentar soluções. Exemplos: “Em vez disso, o que podemos fazer?”. “Parece que há duas opções”. “Quando isso acontece comigo, fazer uma foto me ajuda a me sentir melhor. Quer tirar uma comigo?”. Tente propor estratégias que a criança já tenha visto você modelar. (5) Busque discutir as consequências e questionar. “O que acha que pode acontecer?”. “Você escolheu desenhar uma imagem; como se sente agora?”

Podemos ensinar a inteligência emocional explicitamente por meio de experiências compartilhadas. Quando? Durante momentos que permitem fazer trocas, como enquanto assistimos a programas de televisão, filmes ou lemos histórias, em que é possível falar sobre os sentimentos dos personagens e como eles se expressam e regulam essas sensações. A ideia é conversar sobre o “enredo emocional”, abordando o que aconteceu para que eles experimentem determinados afetos, e tentar prever o que vai acontecer em seguida.

 



O AUTOR

Craig S. Bailey é psicólogo, especialista em aprendizagem social e emocional de crianças da primeira infância. Desenvolve pesquisa de pós-doutorado no Centro de Inteligência Emocional, da Universidade Yale. Trabalha no projeto Preschool RULER, que ajuda adultos envolvidos em programas de educação infantil a estimular as habilidades sociais e emocionais de crianças com o objetivo de favorecer seu sucesso acadêmico e social.

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