O professor brasileiro finalista do “Nobel da Educação”

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Márcio Andrade Batista, de 46 anos, é engenheiro químico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), mas foram as aulas voluntárias de iniciação científica em escolas públicas que o tornaram destaque na imprensa. Ele foi um dos 50 finalistas do Global Teacher Prize, considerado o “Nobel da Educação”.

Morador de Barra do Garças, a 520 km de Cuiabá, Márcio percebeu a carência das escolas da região no ensino de ciência.

Decidiu então, em 2011, criar um projeto de iniciação científica em sustentabilidade para alunos do ensino médio usando os produtos característicos da região.

Em 2012, uma de suas alunas da cidade de Junaí criou uma farinha integral com a castanha do baru. O projeto foi premiado no concurso nacional Jovem Cientista e a estudante, recebida pela presidente Dilma Rousseff. Desde então, Márcio já passou por muitas escolas e seus jovens alunos trabalharam com soro de queijo, castanha, bagaço de cana, jambu e outros produtos regionais.

NE: Como você cria a proposta do projeto científico que vai ser usado em cada escola?
M. B.: Eu não gosto de chegar e propor [um problema] porque aí eu estreito as possibilidades de o aluno fazer a pergunta. Se sair do estudante, a chance de ele se apaixonar por aquilo e se dedicar de forma espontânea cresce.

A chance de sucesso é muito maior. Minha metodologia é com perguntas. Por exemplo, a região tem muito buriti. Eu pergunto para eles: “O que vocês fazem com isso? E com a casca? Se joga fora a casca, o que seria possível fazer com ela?

Vamos pensar, ela é dura, então que tipo de ligação química tem aqui entre os átomos?”. Assim vai, até pedir ideias do que podemos fazer.

Daí eu sirvo como filtro para as ideias, o que é factível e o que não é. O que for, a gente vai tentar fazer.

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NE: Quais as principais dificuldades no ensino de ciência para alunos de ensino médio?
M. B.: Muitas vezes a curiosidade científica está adormecida. Os alunos têm muita dificuldade em relacionar a aula com seu dia a dia prático. Outra coisa é a [dificuldade de] leitura. Eles têm dificuldade de entender conceitos básicos de física, de química. E, por isso, existe uma tendência a aceitar uma resposta pronta, porque eles não têm fundamentos científicos básicos para contrariar o que estou dizendo. É essa capacidade de perguntar, de questionar, que eu tento trabalhar, dando as bases científicas.

NE: É de recursos que as escolas são mais carentes para melhorar o ensino de ciência?
M. B.: Faltam recursos, sim, de todo tipo. Mas isso já virou um chavão até. É assim: eu tenho que jogar bem com carta ruim. Se eu for esperar que as escolas tenham computador, lousa mágica, laboratório etc., eu nunca vou ensinar ciência. A minha abordagem é usar os recursos que estão disponíveis, não importa onde você está. Vou usar o buriti, o baru, o jambu, o murici, o bagaço de cana, as coisas que os alunos conhecem.

Para ser um ensino interativo e mais próximo do ambiente.

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