Escolas apostam nos benefícios da meditação

Melhora da concentração e redução da ansiedade e do estresse são alguns dos efeitos positivos da prática
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NEURONOVAS | FOCO | Edição 5

Alunos fazendo meditação antes da aula de educação fisica

Alunos meditam por cinco minutos antes das aulas de educação física na Escola Municipal Lupércio Belarmino da Silva, em Florianópolis

Nos últimos anos, foi publicado um volume considerável de estudos que comprovam o potencial de diferentes técnicas de meditação para melhorar a concentração e reduzir o estresse e a ansiedade. Mais recentemente, estão surgindo evidências sobre os efeitos da prática para crianças e adolescentes. Algumas escolas e centros de apoio no Brasil já estão apostando nos benefícios da meditação para o bem-estar e o comportamento dos alunos.

Desde o começo do ano, crianças de 7 a 12 anos do Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente “O Visconde” praticam meditação transcendental duas vezes por semana. Profissionais da ONG, que fica no Real Parque, zona sul de São Paulo, receberam treinamento do Instituto David Lynch no Brasil, que já desenvolveu projetos semelhantes em escolas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. A coordenadora pedagógica do centro, Glenir Monte, conta que as crianças aprenderam a ficar em silêncio e passaram a se relacionar melhor com parentes e colegas. “Elas ficaram mais criativas, melhoraram na escola. A meditação tem afetado de forma muito positiva o processo pedagógico da criança”, diz.

Uma pesquisa brasileira, publicada na Neuroimage, sugere que a meditação é capaz de melhorar o desempenho cerebral, especialmente em tarefas que exigem concentração. “O cérebro de pessoas que meditam recruta menos áreas cerebrais para realizar uma determinada tarefa, como se fizesse uma maior ‘economia’, o que se traduz em mais foco e concentração. Um desafio no mundo cheio de estímulos em que vivemos”, diz a psicobióloga Elisa Kozasa, do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, autora do trabalho.

Outro estudo, divulgado em 2013 pelo The British Journal of Psychiatry, que envolveu mais de 500 adolescentes entre 12 e 16 anos, analisou os efeitos da técnica de meditação de atenção plena (mindfulness). De acordo com os autores do artigo, jovens que frequentavam escolas que aplicavam programas de meditação apresentaram em média menos sintomas depressivos e níveis de estresse menores em comparação ao grupo de controle, além de relatarem maior bem-estar.

Em Vitória, 15 escolas estaduais estão participando do projeto Educação em Valores, Desenvolvimento Humano e Cultura de Paz, promovido pela Secretaria de Educação do Estado do Espírito Santo em parceria com o Instituto Migliori, o Ministério Público do Estado e a ArcelorMittal.

“Usamos conhecimentos de áreas da psicologia positiva e da neurociência cognitiva e comportamental de forma adaptada para a educação”, explica a neuropsicóloga Regina Migliori, coordenadora do projeto, que envolve técnicas de meditação e outras práticas contemplativas para trabalhar a atenção, as emoções, a aprendizagem, a convivência e o desenvolvimento de processos decisórios. Nesse programa, estão envolvidos 380 professores, que deverão trabalhar a nova atividade com cerca de 10.500 estudantes.

Em Florianópolis, na Escola Desdobrada Municipal Lupércio Belarmino da Silva, há meditação antes de todas as aulas de educação física. A professora Rosangela Martins dos Santos dedica cinco minutos de sua aula à meditação pela paz, inspirada em técnica criada pela psiquiatra indiana Anmol Arora: as crianças se sentam na quadra em círculo, inspiram e expiram devagar e repetem em voz alta: “Eu estou em paz”, “minha família e meus amigos estão paz”, “o lugar onde eu moro está em paz”, “minha escola está em paz”, “meu país e meu planeta está em paz”. Os resultados já são perceptíveis: “Há muito tempo eu não sei o que é levantar a voz para resolver conflitos”. Para ela, o objetivo maior é fazer com que as crianças tenham prazer de ir à escola.

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