Em Harvard, carioca estuda ciência política de olho na educação brasileira

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Ainda adolescente em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Renan Ferreirinha Carneiro já se preocupava com a desigualdade na qualidade da educação brasileira. Filho de uma professora de matemática, se juntava aos sábados a um primo para dar aulas de inglês a crianças em uma favela da zona norte do Rio. Aos 21 anos, bolsista da renomada Universidade Harvard, o carioca divide seu tempo entre as aulas da faculdade e projetos para melhorar a educação brasileira.

Bom aluno desde criança, Renan passou por sua primeira peneira educacional quando decidiu ingressar no Colégio Militar do Rio de Janeiro, escola pública com processo seletivo muito competitivo, ainda na 5a série. Após dois anos de tentativa, seu sucesso lhe rendeu não só educação de qualidade, mas também uma experiência que lhe abriu a visão de mundo. “Lá fui exposto a uma grande diversidade de alunos em relação a seu desempenho e também a suas condições socioeconômicas, tinha colega da zona sul e do fundo da zona norte do Rio.”

O colégio militar levou Renan a participar de diversas olimpíadas de matemática e de física. Ao longo dos sete anos de estudo na escola de ponta, amadureceu o objetivo de estudar em uma das melhores universidades do mundo. “O colégio tinha muitas peneiras internas, e os professores sempre me desafiavam a ir além”, conta.

Renan está no segundo ano do curso de ciência política com ênfase em economia e já tem no currículo a criação da primeira plataforma de financiamento coletivo para educação (15 projetos, com 900 crianças, já foram financiados), o Mapa do Buraco (projeto que discutiu a educação pública durante o período de eleições presidenciais no Brasil) e agora foca a realização de um congresso de ideias para o futuro da educação brasileira em Brasília (170 projetos estão inscritos).

01“Sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho. Então por que não sonhar grande?”, diz, citando uma frase que ouviu repetidamente em reuniões de mentoria da Fundação Estudar, que o apoia.

Da experiência em Harvard, Renan quer trazer para o país o costume da colaboração. “No Brasil, temos uma cultura muito individualista, sobretudo em relação aos bens públicos. Vemos os políticos como eles e assim é muito fácil o brasileiro tirar o corpo e achar que não tem nada a ver com a política”, critica. “O jovem tem de questionar o que vem sendo feito. O meu grande sonho é ver o Brasil como pátria educadora na prática”, conclui o estudante, que estará formado em 2017 e tem a certeza de que voltará para o Brasil para se dedicar à gestão educacional.

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